Terapia Cognitivo-Comportamental: motivação para uma vida sem drogas
A.I. CT Viva – Como é possível uma pessoa mudar um comportamento que está enraizado em sua vida e, por meio desta mudança, adquirir habilidades que a façam deixar as drogas?
À medida que o individuo percebe genuinamente a necessidade da mudança, e começa a desenvolver recursos internos para realizá-la (através da psicoterapia, da participação em grupos de iguais), ele fará, ao longo do tempo, partindo de projetos menores para outros maiores, experiências que funcionarão como reforço para manutenção do novo comportamento, facilitando a aquisição de comportamentos mais complexos relativos à mudança esperada.
É função da terapia cognitivo-comportamental, facilitar a mudança, e oferecer, além de estratégias para que esta ocorra, reforço positivo para que ela se mantenha.
Geralmente, um indivíduo dependente de substâncias psicoativas vai se distanciando de valores essenciais, do convívio familiar; das suas redes sociais, direcionando a maior parte do seu tempo e da sua atenção para o uso da(s) droga(s), não reconhecendo os prejuízos decorrentes deste uso e nem a necessidade de mudança de comportamentos.
Neste contexto, o indivíduo vai sinalizando baixo comprometimento com a sua vida (ausência de autocuidado e autoproteção); ausência de perspectivas futuras e projetos de vida.
O tratamento norteado pela terapia cognitivo-comportamental oferece recursos e ferramentas que possibilitam este indivíduo a identificar, contestar e modificar os seus padrões de crenças e pensamentos disfuncionais, favorecendo a mudança de comportamentos.
Através do tratamento, o indivíduo pode aprender a reconhecer as suas situações de risco que favorecem o uso, e as suas situações e ambientes que o protegem do uso de drogas; aprende a ressignificar o seu processo de abstinência, atribuindo valor positivo para esta escolha.
O tratamento também propicia o desenvolvimento de competências emocionais e o treino de habilidades sociais que favorecem e melhoram a qualidade de vida do indivíduo e dos seus relacionamentos interpessoais.
A.I. CT Viva – Quais os principais fatores que contribuem para a mudança do comportamento?
É um pressuposto da teoria cognitiva que o pensamento (ancorado em crenças mais internas) determina o comportamento. Portanto, na medida em que o individuo questiona suas crenças desadaptativas, geradoras de comportamentos também disfuncionais, e consegue equacioná-las de uma forma mais adequada, terá maior chance de apresentar um conjunto de comportamentos mais funcionais.
Na dependência química a mudança de comportamento também está relacionada à necessidade que o paciente tem desta mudança. Portanto, quanto maior o nível de motivação, maior a chance de ela ocorrer. As desvantagens do uso de substâncias devem superar as vantagens, e este é outro fator favorável à mudança.
A.I. CT Viva – Quando surgiu e há quanto tempo tem se utilizado a TCC como metodologia no tratamento da DQ?
O modelo cognitivo comportamental surgiu no final da década de 50 com os trabalhos de Albert Ellis e mais especialmente a terapia cognitiva no início dos anos 60, tendo como principal teórico Aaron Beck.
A eficácia deste modelo tem sido bem estabelecida em estudos controlados no tratamento de quadros depressivos unipolares, tanto em adultos como em crianças, no transtorno de pânico com ou sem agorafobia, na fobia social, no TEPT, no TOC, e na dependência química principalmente no modelo de prevenção da recaída e treinamento de habilidades sociais.
A.I. CT Viva – Tem crescido o número de profissionais que tem como base de trabalho a TCC? Por quê?
No campo da dependência química, esta abordagem é a que apresenta maiores resultados de eficácia comprovada, o que tem levado a um grande número de profissionais buscarem especialização neste modelo, que se desdobra em outros também bastante populares no tratamento da dependência, como a prevenção da recaída e o treinamento de habilidades de enfrentamento de situações de alto risco.
*Profª Neide Zanelatto
Psicóloga Clínica, Especialista em Dependência Química pela UNIAD/UNIFESP, Mestre em Psicologia da Saúde pela UMESP.
*Profª Tânia Houck
Psicóloga Clínica, Especialista em Dependência Química pela UNIAD/UNIFESP e em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto de Psiquiatria/ HC FMUSP.
Ambas coordenam o curso de Terapia Cognitivo-Comportamental aplicado à dependência química cujo primeiro módulo se realiza entre os dias 29 e 31 de maio de 2009, em Araçariguama (50 km de SP), às margens da Rodovia Castello Branco. Mais informações sobre o curso:
www.ctviva.com.br/cursos
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